Entrevista: Hospital de campanha em Ipojuca completa uma semana de funcionamento

Apesar da recomendação do Ministério Público de Pernambuco (de que sejam instalados novos leitos de UTI e de retaguarda por causa da pandemia do COVID-19) ser uma exigência para os municípios que possuem acima de 100 mil habitantes, a Prefeitura do Ipojuca (que tem cerca de 96 mil habitantes) resolveu, de forma preventiva, providenciar um Hospital de Campanha. Uma ala do Hospital Carozita Brito, localizado em Nossa Senhora do Ó, com 33 leitos, foi separada para receber os pacientes que testaram positivo para o Novo Coronavírus e que precisam de internamento.

A prefeita do Ipojuca, Célia Sales, explicou recentemente, em pronunciamento, que optou por ampliar o Hospital Carozita Brito equipando uma nova ala e a separando para o tratamento de COVID-19, ao invés de montar uma estrutura que seria desfeita pós-pandemia. “Não tem sentido investir em algo que depois será desfeito. Quando tudo isto passar, os equipamentos ficarão para o município, teremos ampliado o número de leitos da nossa rede de saúde”, explicou Célia Sales.

Há uma semana em funcionamento, a gestão municipal nota que a população ainda possui muitas dúvidas sobre o conceito do que é um Hospital de Campanha e para quem se destina. Com o objetivo de tirar estas dúvidas, a Secretaria de Comunicação selecionou as perguntas mais frequentes nas redes sociais e entrevistou o diretor das Unidades de Urgência e Emergência do Ipojuca, Tirso Ortega. Ipojuca até este domingo (17) contabilizou 107 casos confirmados de COVID-19, 25 recuperados e 12 óbitos.

ENTREVISTA

– O que é um Hospital de Campanha?

Um Hospital de Campanha em Ipojuca ou em qualquer lugar do mundo serve como uma retaguarda para desafogar as outras unidades de saúde. É semelhante a uma grande enfermaria aonde o paciente com sintomas leves e moderados é levado para ficar internado.

– A equipe de profissionais que atuam no Hospital de Campanha do Ipojuca é composta por quantas pessoas?

Entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, além da equipe de apoio que são os maqueiros, os profissionais de serviço gerais, entre outros, são cerca de 15 pessoas a cada plantão 24h.

– É verdade que o Hospital de Campanha não realiza consultas para saber por exemplo se a pessoa está ou não com Coronavírus?

É verdade. Não é papel do Hospital de Campanha realizar atendimentos e consultas. Isto é feito nas nossas redes de urgência e emergência. E os pacientes só seguem para o Hospital de Campanha caso atendam aos critérios de internamento.

– Qual é o fluxo correto para quem acredita está com Coronavírus e deseja atendimento médico em Ipojuca?

O paciente com sintomas leves deve buscar o posto de saúde ou o ambulatório mais perto da sua casa. Porém se sentir falta de ar ou piora nos sintomas respiratórios, o paciente deve seguir para uma unidade de urgência e emergência do município, como a UPA da PE-60, a UPA de Camela, o SPA de Porto de Galinhas, de Serrambi ou o do Santo Cristo em Ipojuca.

– Quais os critérios para ser atendido no Hospital de Campanha?

Reforço mais uma vez que não há atendimento no Hospital de Campanha, são as unidades de saúde que encaminham os pacientes para lá. E isto acontece quando o paciente apresenta sintomas clínicos e laboratoriais que exigem a internação na enfermaria de COVID-19 do Hospital de Campanha. Só para citar alguns critérios, o paciente precisa estar com a saturação de oxigênio em ar ambiente maior que 90%, não ter complicações reveladas no raio x do tórax, estar com níveis de ureia menor que 100mg/dL e hemoglobina maior que 10g/dL, além de outros critérios. Qualquer gravidade de taxas e sintomas o paciente é encaminhado para a sala vermelha (aonde existem os respiradores) e não respondendo bem é transferido para os hospitais de referência do Estado.

– Quem está em outra ala do hospital Carozita Brito corre o risco de ser contaminado porque está internado no Hospital de Campanha, já que é o mesmo prédio?

É preciso que as pessoas entendam que todas as unidades de saúde do Brasil estão recebendo paciente com suspeita de COVID-19. No Recife, hospitais como o Português, o Imip e o Osvaldo Cruz, também estão funcionando assim. O Hospital da Mulher, no Recife, também separou uma ala só para COVID-19, como fizemos aqui no Carozita. Os postos de saúde, as emergências, os ambulatórios e os hospitais estão atendendo os pacientes que apresentam sintomas de Coronavírus, que saem de suas casas em busca de atendimento médico. Mas existem protocolos de segurança. No caso do Hospital Carozita Brito foi feito uma vedação e uma separação física de acesso nas entradas, tanto para pacientes como para os profissionais de saúde. A equipe que compõe o Hospital de Campanha é exclusiva do Hospital de Campanha. Eles possuem banheiros e dormitórios exclusivos. Tudo para evitar a contaminação.

– Quantos pacientes foram internados nesta primeira semana de funcionamento do hospital de Campanha em Ipojuca?

Nestes sete primeiros dias, 20 pacientes foram internados. E tivemos também 11 altas, graças a Deus.

– Que recado você deixa para os ipojucanos nesta pandemia?

Se puder, fique em casa. Existe um esforço grande por parte de todos os profissionais que estão na linha de frente, este vírus atinge todos os continentes do mundo e ainda não foi encontrada uma vacina para combatê-lo, nem um remédio que cure, então o isolamento social é a única medida comprovada que freia a transmissão.

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